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20 janeiro, 2017

O parto.

Acordei na 2af com um telefonema a dizer: A sua cesariana está marcada para dia 10. Eu fiquei tão baralhada que perguntei... desculpe, dia 10? A voz respondeu, Sim, dia 10 de janeiro, amanhã.

Fiz os primeiros telefonemas a avisar da efeméride, embora poucos, porque nos também precisamos de processar essa informação.
Passei o dia em casa dos meus pais, a ajudar a minha sobrinha mais velha (4anos) a fazer uma árvore genealógica para a escola. Tratei de fechar as malas, tratar de últimos assuntos pendentes. Passamos a noite com a família dos dois lados... todos felizes com o dia seguinte.

Ao deitar não conseguíamos nem pensar, nem falar. Mas fomos dormir (e conseguimos dormir!) até quase à hora de entrar na Maternidade.

Fomos os dois, fui preparada, e pelas 10:00 estava deitada num quarto a aguardar ter vaga na sala de partos para a cesariana. O pai não foi assistir, porque acho que iriam ter mais um paciente para cuidar!! Mas tivemos lá a avó bem de perto :)
Infelizmente na maternidade onde as bebes nasceram, e apesar da lei permitir um acompanhante durante todo o trabalho de parto - mesmo cesarianas -, não há condições para receber os acompanhantes! Felizmente não me importei muito, mas só ter esta informação quase a entrar pra o bloco é um pouco indelicado...

Pelas 11:00 fui para a sala de partos, mas algumas urgências fizeram com que apenas pelas 12:00 se iniciasse a preparação com a administração da epidural,
Até lá, os momentos foram de alguns tremores e ansiedade, felizmente amenizados pelos cuidados dos profissionais da sala de partos: anestesistas, médicos e enfermeiros.
O mundo é uma ervilha, e dei por mim a conhecer (por motivos profissionais), uma das obstetras e uma das enfermeiras da sala de partos. Fomos conversando e a coisa passou.

Momentos antes do corte puseram-me um pano e parece que deixei de estar ali: todas as conversas eram sobre o meu estado vital, e o que se estava a passar do peito para baixo.
É engraçado que não senti qualquer dor, mas percebia que estavam a mexer... curioso como funcionam estes medicamentos!! Tinha a sensação que poderia mexer as pernas se quisesse, embora tenha perdido a sensibilidade à dor, parece que ainda sentia as pernas. Não me sei explicar melhor...

O período que mais me custou lá estar, foi até ao nascimento da C. (o G1), que era um bebe bem grande - segundo as médicas. Depois fiquei mais tranquila... foram apenas uns minutos mais até nascer a M.
A partir de aí fiquei mesmo bem, em paz. Como já disse, levaram as bebes para observação na sala ao lado, onde estava a avó e muitos outros profissionais para as receber. Foram-me dando notícias das bebes, tal como o seu estado geral, peso, etc.

Não tenho noção do tempo que passou, mas talvez tenha ficado a ser cosida cerca de 30min, mais 30min em recobro.
Os pontos que me deram são intradérmicos, exceptuando os últimos pontos, ou seja, um ponto de cada lado à moda antiga, que já tirei no centro de saúde, 8 dias após o parto.

Recebemos os parabéns de toda a gente que passava, e eu estava muito feliz, embora cansada da ansiedade!
Quando me transportaram para o quarto já levava comigo a C., e no corredor tinha a família à nossa espera.
Subi para o quarto onde tanta coisa se ia passar...

16 janeiro, 2017

O nascimento.

Tanto para contar e tão pouco tempo!
Faz amanhã uma semana do nascimento das minhas (e nossas) hi-tech babies :)

A semana que passou tem sido uma verdadeira loucura.
As meninas nasceram bem, de cesariana electiva, pelas 12:30 do dia 10 de janeiro de 2017 com 37 semanas e 2 dias de gestação.
A nossa C. nasceu com uns fartos 3,190kg, e estava famosa! Lembro-me que foi a primeira a sair e de má mostrarem pelo pano! Chorou pouco. Estava gordinha e fofa!

A nossa M. nasceu com 1,790kg. Chorou com mais vontade. Quando na mostram via-se a diferença da irmã pela falta das bochechas.

Quando fui pra o quarto levava a C. nos meus braços. Estava linda e muito serena, embora não gostou do elevador que nos levou ao nosso piso.
Pouco depois de chegar ao quarto, o Enfermeiro responsável pela M. na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) trouxe-me uma fotografia dela, impressa num cartão amoroso a apresentar o espaço onde a M. iria ficar internada. O motivo do seu internamento foi o baixo peso e observação. Mas rapidamente se percebeu que ela também era muito preguiçosa para comer... tem que ganhar peso para ser autónoma e ter força de se alimentar sozinha e puxar bem pelo biberon ou mama. Mas é uma grande luta. Ao fim de 3 dias na UCIN foi colocada uma sonda de alimentação, de modo a que não perdesse mais peso.

Na altura, e em todos os dias que se seguiram até agora, é uma grande mistura de sentimentos e pensamentos! Estou feliz porque nasceram e porque são saudáveis, mas terrivelmente angustiada por não ter as duas comigo.

Ao mesmo tempo a C. não nos tem dado muito descanso porque também é preguiçosa para comer!! O peso anda numa montanha russa de sobe e desce!...

Os dias passam rápido - há sempre tanto para fazer entre estar em casas tratar da C., ir à Maternidade visitar a M.,  tratar dos papéis dos primeiros dias, e gerir todas as emoções e contratos de família e amigos... pfff.... digo-vos que as hormonas nem sempre ajudam mais do que desajudam...

Hoje penso que realmente foi importante chegarem às 37 semanas e 2 dias, atingindo a maturação pulmonar. Mas isso também acentuou a diferença de pesos entre ambas.

Neste momento é manter Coragem e Fé. E dar tempo ao tempo... eu já sei... uma semana não é nada! Mas eu já só queria estar um mês à frente... ter as duas em casa a crescer.

Confesso que sempre acreditei que a M. fosse nascer maior... muito mais perto dos 2kg (como era estimado nas ecografias). Não pensei que a sua estadia na UCIN pudesse estender-se por tanto tempo... quando falava nessa possibilidade, nem eu sabia em o que estava a dizer... e nesta fase nem sabemos bem quanto tempo vai lá estar... deus queira que pouco tempo! Que passe rápido... que de repente lhe dê um click!

Prometo vir falar sobre o parto, a amamentação, e outros assuntos que achem de interesse, e espero que seja um discurso mais coerente do que neste momento sou capaz...

Um muito obrigada a todas pelo apoio!

09 janeiro, 2017

Aviso de Despejo.

Hoje é um dia de mixed feelings... foi agendada a Cesariana para amanhã. 
O que significa tanta coisa!!

Significa que hoje é o último dia que vos carrego sozinha. Estão agarradinhas a mim desde o dia 16 de maio de 2016, dia da minha TEC. No dia 10 de janeiro de 2017 vão sair para se darem a conhecer, e para conhecer o mundo - em especial a mãe e o pai!!

Vão ser o centro do nosso mundo a partir de amanhã, e todas as nossas prioridades vão mudar. 
Estou feliz, e ansiosa!! 

Apesar de já estar habituada a esta barriga, estou desejosa de voltar a um eu mais normal. 
Estou desejosa por conhecer cada uma de vocês e por criarmos as nossas rotinas. Há tanta gente que vos quer conhecer!! 
Vamos ter que criar um sistema de senhas para a maternidade :) vai ser um reboliço, mas se Deus quiser vamos dar conta de tudo. E de nós próprias! 

Quero que tudo seja o mais natural possível. E natural é a partilha da vossa vinda com os outros. E um apoio à mãe :) 

Dia 10 de janeiro vai passar a ser um dos dias mais felizes das nossas vidas! 
Venham M e C *

08 janeiro, 2017

37 semanas.

Nunca pensei que esta gravidez chegasse tão longe... estou grande, pesada, cansada, com falta de ânimo e paciência para tudo e qualquer coisa.
Já não sou autónoma em quase nada... estou muito tempo sozinha, e em casa (que ainda é o pior de tudo.).
Tenho dito que sei que a fase que aí vem não vai ser menos cansativa do que está agora... mas sinceramente já não me importo com isso. Agora já só quero que venha uma nova fase, com outro tipo de cansaço e de preocupações, e com as minhas meninas nos braços.
Estou preocupada com elas, e já só quero tomar conta delas aqui fora.

Na minh consulta desta quinta-feira revelei está minha ansiedade e preocupação ao médico da ecografia, que me disse logo que não são os obstetras que definem a duração de uma gravidez, e que ao querer antecipar o parto (???? Estou grávida de gémeos, com certeza não quer que eu chegue às 40 semanas!!) estava a por em causa a saúde respiratória das minhas filhas.
Bem, quem me conhece, sabe que nunca iria por em causa a opinião médica sobre o tempo gestacional, e a data do parto. E que não estou a "fazer pressão" para nada. Mas quando o mesmo médico acaba de me dizer que a M. desceu de percentil, e que já há uma diferença clinicamente significativa no crescimento das minha filha, não pode querer que eu fique calada à espera de informações sobre o parto!! É óbvio que vou perguntar se ele acha que o parto estará para breve!
Enfim, o gajo devia ter chateado e depois descarrega em cima de mim. Sim, é um médico super competente e não o trocava por outro, mas não deixa de ter sido parvo.

Em seguida na consulta com a minha médica (que está de volta das suas férias), fui observada (mantenho um dedo de dilatação), foram ouvidas as minhas queixas, e depois, ao fim de 36 semanas de gravidez, ouvi da sua boca as seguintes palavras "Bom, vamos então falar sobre o parto?" E eu " Sim, por favor." Em duas consultas já tinha feito perguntas sobre o parto, mas nunca foi ela que puxou o assunto.
Sendo que neste momento a C. está um bebe com 3,100kg e a M. com 1,980kg, a médica aconselhou-me a agendar uma cesariana. Explicou que a decisão era minha, e que podíamos tentar uma indução para parto normal, mas que ninguém me podia garantir que depois de a C. nascer de parto normal (isto se tudo corresse bem com a indução, e nenhuma das bebes entrasse em sofrimento), havia uma grande possibilidade de terem que fazer uma cesariana para a M. nascer. Isto porque ela pode não ter força para nascer. Mesmo que usassem fórceps ou ventosas, não havia garantia nenhuma de ela nascer de parto normal.
Explicou tudo e disse que a decisão era minha. Eu confesso que fiquei um pouco atordoada. Estive todos estes meses a ouvir que tinha critério para parto normal, e que estive sempre a mentalizar-me que isso seria o melhor para elas e para mim. Nesta fase, pelos vistos isso não é verdade.
Eu respondi à médica que não me fazia muito sentido tomar hormonas durante várias horas para induzir o parto, e depois ter que passar por um parto normal, e por uma cesariana num dia só. Se o risco é esse, não me parece muito sensato passar por tudo isto... e ter que recuperar de dois partos.

Assinei os papéis de pedido de cesariana electiva no dia 5 de janeiro. Agora estou à espera que me comuniquem a data do parto... segundo a minha médica deu a entender, o mesmo será na próxima semana.
Até hoje não recebi nenhuma indicação de data. Zero telefonemas, mensagens ou sinais de fumos. Não sei se vai custar mais esperar pelo parto, ou pela data do mesmo.
Entretanto das minhas pesquisas , percebi que só agendam 2 cesarianas electivas por dia. E que normalmente são marcadas com diferença de 2 semanas do pedido. (Será que eu chego as 38semanas e uns dias???).
Preciso de uma data... Nasçam queridas bebes. Eu sei que estão bem aí dentro, a C. melhor que a M., e por isso já quero tomar conta de vocês cá fora!! Temos muitas mãos para ajudar.

(Suspiro....)

23 setembro, 2016

Mala Maternidade Bissaya Barreto



Então este foi o folheto que me entregaram na MBB com as indicações necessárias para preparar a Mala de Maternidade.
Eu cá acho que podia estar mais bem organizado... mas com esforço, lá se entende.
Acho particularmente interessante o pormenor "x2" acrescentado à mão pela enfermeira :) 

"No seu caso é tudo vezes dois" é uma frase que se ouve muito numa gravidez de gémeos. E eu até gosto.

Na parte de trás do folheto temos a indicação do transporte necessário para os bebés. Os "ovinhos" devidamente homolgados... Em breve falarei finalmente das nossas decisões sobre os carrinhos e etc...

Ainda não sei muito bem tudo o que levar... mas fui fazendo um levantamento de listas de outras mães que vi em fóruns e assim... Deixo-vos aqui as listas: (se quiserem envio por email em excel!)
















Outras listas de coisas para os bebés e a vida em casa e na rua:




18 setembro, 2016

Sobre o Parto - I

É um dos temas quentes, e inevitáveis, quando se fala de uma gravidez, e à medida que ela progride.
A mim sempre me interessou tudo o que estava relacionado com a parentalidade, gravidez, maternidade e puericultura, pelo que sempre li, vi, e estudei (alguma coisa) dentro destes temas. E digo isto porque até este momento da minha gravidez (21 semanas) ainda não se tocou nesta palavra nas minhas consultas de obstetrícia. Não houve necessidade.

Sinceramente, o pensamento que mais me ocorre neste momento é: quando é que elas vão nascer? Será que vão estar bem ou vão ter que ir para os cuidados neonatais?

E sobre o parto, é isto.
Honestamente entre as opções de parto que existem, e fazendo duas grandes distinções, temos o parto normal e a cesariana.
E é óbvio que eu tenho a minha preferência.
Mas acho que isso não interessa nada!

O que quero dizer é: o tipo de parto que eu vou ter não classifica nem a minha gravidez, nem a minha vida em família com as minhas filhas.
Elas estão a crescer e vão ter que sair!! E eu quero mesmo que elas saiam. Agora, fazer altos planos e sonhos cor de rosa sobre o parto não faço. Nunca se sabe o que vai acontecer... às vezes em cima do acontecimento tudo muda à conta de mil factores que nós não podemos controlar!!
O que acho importante? Confiar na equipa que está connosco e nos vai acompanhar nesse momento. Cooperar e acreditar que vai correr tudo bem.

O parto, tal como a gravidez, para mim é só um meio para um fim - ser mãe!!
Deus queira que não sofra muito... e que a recuperação seja pacífica. Mas em todos os partos há coisas boas e coisas más. E cada pessoa reage da sua forma aos partos. Há cesarianas e suas recuperações que são fabulosas, e há partos normais que também o são.

Nesta coisa da maternidade (gravidezes prentalidade) há muita coisa que me assusta e que é capaz de me tirar o sono e dar graves crises de ansiedade... o Parto não é uma delas de certeza.

Cá é certo que ainda estou só com 21 semanas, e acredito que ainda venha a escrever outras coisas, bem que seja depois do parto, mas para já é mesmo o que eu penso.