26 fevereiro, 2017

Vida.


No ventre de uma mulher grávida, dois bebés falavam:

- Acreditas na vida pós-parto?

- Claro. Tem que haver alguma coisa. Se calhar estamos aqui a preparar-nos para o que vamos ser.

- Disparate! Não há vida depois do parto. Como é que seria verdadeiramente essa vida?

- Não sei, mas com certeza deve haver mais luz que aqui. Talvez até consigas andar com os próprios pés e comer com a própria boca.

- Isso é absurdo! Andar é impossível! E comer com a boca!? Completamente ridículo! O cordão umbilical é que nos alimenta. Só te digo isto: A vida após o parto não é possível. O cordão umbilical é muito curto!

- Eu cá tenho a certeza que há alguma coisa. Com certeza apenas diferente daquilo a que estamos habituados aqui.

- Mas nunca ninguém voltou de lá para contar... o parto é o final e mais nada! Angústia prolongada na escuridão.

- Bom, não sei como é que vai ser depois do parto, mas tenho a certeza que a Mãe vai tratar de nós.

- Mãe? Acreditas nisso!? E onde é que ela supostamente está?!

- Onde? Em tudo à nossa volta! Vivemos nela e através dela. Sem ela nada existiria.

- Eu não acredito nisso! Nunca vi Mãe nenhuma porque simplesmente não existe.

- Então, mas quando estamos em silêncio não a consegues ouvir cantar e falar? E não a sentes a afagar o nosso mundo? Sabes, eu acho mesmo que nos espera a vida real e que esta é só uma preparação para ela...

- Esquece! Isso são aquelas tretas da fé...

(autor:??)

10 fevereiro, 2017

Carta à M.


1 mês.
Minha bebé furacão.
Não imagino o que passaste na minha barriga... mas desde que estás cá fora, és a força da natureza personificada. 
Foste o meu ponto fraco... e foste tão forte! És a bebe mais perfeitinha... que olhos tão expressivos! Que postura tão determinada. E choras. Tu choras quando tens fome, quando tens frio, quando tens cólicas e quando não estás bem.
Para mal dos pecados do teu pai, não gostas muito de chupetas. E olha que ele já comprou literalmente todas as chupetas do mercado. Todas as marcas, de todos os materiais e cores. 
Não sabemos bem com quem és parecida... mas és muito delicada e perfeita! Se não nos puséssemos a pau, ficavam contigo lá na UCIN. 
Adoras colinho. E que falem contigo. O avô conta-te sempre as notícias do dia, e adora falar-te do Donald Trump...
Acho que as pessoas te acham mais delicada, mas não te conhecem como eu. Ninguém te passa a perna.
És a nossa refilonazinha, o nosso mau feitio (sais ao pai, diz ele). 
1 mês e já mudaste a nossa vida toda. Para sempre. 
Obrigada minha bebé.

Carta à C.


1 mês.
Minha bebé mais querida! 
Tu és a nossa lotinha. O bebé mais fofo. Raramente choras - só quando te mudam a fralda ou quando te cai a chucha de noite.
Se tens fomes, mexes-te muito. 
És, como dizem, um Pachá. O verdadeiro come e dorme. Quando nos abres os olhinhos fazes-nos o gosto. És tão serena. 
Gostas muito de festinhas e de nos agarrar nos dedos (será culpa da Bivó?). 
És a cara do teu pai em pequenino... e tens as mãos dele também. Mas tens a cor do cabelo da mãe, e o seu bom feitio!! (Palavras do pai!)
Estás tão crescida!!
E nem imaginas o quão importante já és para nós todos. E o quanto foste importante para mim nos primeiros dias da tua vida, quando a tua irmã esteve internada. Foste a minha força. Nas correrias do dia a dia, ao fim do dia eras só para mim (e para o pai!). 
1 mês e já mudaste a nossa vida toda. Para sempre. 
Obrigada minha bebé.

06 fevereiro, 2017

1 ano de Concepção

O fim-de-semana foi agitado.
Não foi por isso que deixei de me lembrar que no sábado, dia 4 de Fevereiro, fez um ano da punção que me trouxe as minhas meninas.
É estranho pensar que foi há já um ano que elas, e outros 9 embriões foram concebidos. 
Lembro-me perfeitamente dessa quinta-feira.
Estou tão grata por toda esta experiência...
Pelas pessoas que conheci!... por tudo...

A vida é uma loucura...
É engraçado como dizem que tudo muda depois dos filhos... e é verdade! Mas não é nada assustador. E é tão melhor... se calhar já tinha pensado em tudo isto é previsto tanta coisas antes de elas acontecerem... que agora tudo me sabe tão bem... tudo me parece tão natural. E é mesmo algo que cresce e se constrói.
Agora só quero que elas cresçam e comecem a interagir mais connosco! Estas meninas trazem o melhor de todos nós ao de cima. E é tão bom :)

Estou orgulhosa deste nosso percurso. É preciso ter coragem... mas é tão compensador...

22 janeiro, 2017

A amamentação o aleitamento.

Chegámos ao quarto e tivemos logo as primeiras visitas dos avós, e primos.
Fomos recebidas pela Enfermeira Chefe do internamento que logo das primeiras perguntas que fez foi: pretende amamentar?

Não me lembro bem se cheguei a falar deste assunto aqui no blog... mas na verdade preparei-me toda a gravidez para todos os cenários, tendo a certeza de que amamentar ambas as bebés ia ser missão quase impossível.
Estando a M. na UCIN, sabia que a sua alimentação observação controlada de outra forma, e amamentar nestas primeiras horas/dias não ia ser possível. Com as minhas reservas, disse que gostava de pelo menos tentar!
Respondi que com certeza não ia sair nada! Mas a verdade é que, mal me meteeram a menina ao peito, e a enfermeira ajudou a apertar ligeiramente a mama, saiu logo o colostro!

Posso dizer que amamentar a C. nos primeiros dias foi mesmo muito satisfatório! É uma sensação difícil de explicar. Sente-se uma grande paz e felicidade!
Mas, talvez por ter feito cesariana (ou não), demorou 5 dias para me subir o leite propriamente dito.
Isto trocou-nos as voltas todas...

Isto porque a C. começou a perder peso, e ao fim de uns 3/4 dias na maternidade, a pediatra receitou 8 biberões diários para a C. Ao mesmo tempo a M. não estava a aumentar de peso e quiseram colocar a sonda de alimentação. A pediatra aconselhou a que eu tentasse amamentar a M. para lhe passar as minhas defesas. Tentando dar-lhe diretamente, ou tirar com a bomba e levar.
Isto com dois bebes não é nada fácil de gerir... mais estando uma em cada piso, eu muito limitada da minha cicatriz (só andava entre os pisos em cadeira de rodas), e com os horários controlados entre as manadas de uma e de outra!
Para ir dar peito à M. alguém tinha que ficar com a C. - nos horários das visitas, ficavam as nossas visitas, ou então tinha que deixar a C. com os enfermeiros.

Foi (e ainda é) uma logística complicada.
Até hoje, 11 dias depois do nascimento das bebes, a C. mantém-se com Leite Artificial (LA) exclusivo - porque ainda não recuperou o peso do parto. A M. está em regime duplo: LA+LM, porque o leite que eu tiro, e o leite que lhe dou quando estou com ela, não chega para as 8 refeições diárias.

Agora... nem me façam falar de biberões e tetinas!! E ainda estamos só com a C. em casa... primeiro que os bebes se adaptem aos biberões é cá um filme... e só vos digo - sigam os vossos instintos! No dia após ter vindo para casa (domingo), comentei com o meu marido que achava melhor furar os biberões. Achava que a C. não estava a comer como fazia no hospital e que aquelas tetinas da moda a imitar mamilos eram muito giras mas não servem para bebes em LA exclusivo e a precisar de aumentar de peso!!
Bem dito, bem feito. A menina continuou a perder peso, e na 4af furámos todos os biberões.
E a menina come bem.

Sobre tirar leite com a bomba... uso uma eléctrica e é o mínimo!! Não sei como usam bombas manuais... mas não gosto. Faço pela minha M. Mas não é nada que eu goste... e sai tão pouquinho... espero que seja o suficiente para proteger a minha pequenina.
E enquanto tiver, vou tirar. E vou dar.
Mas não vale a pena julgar, e nem me venham com palpites!! Só aceito conselhos de mães de gémeos que tenham tido um bebé em casa e outro na UCIN. (Desculpem o mau feitio... mas não vos passa aquilo que eu ouço estes dias...)

Amamentar é mesmo bonito (agora percebo), e mais barato e deve ser prático. Mas o aleitamento materno é igualmente satisfatório, desde que cumpra os objetivos :)

20 janeiro, 2017

O parto.

Acordei na 2af com um telefonema a dizer: A sua cesariana está marcada para dia 10. Eu fiquei tão baralhada que perguntei... desculpe, dia 10? A voz respondeu, Sim, dia 10 de janeiro, amanhã.

Fiz os primeiros telefonemas a avisar da efeméride, embora poucos, porque nos também precisamos de processar essa informação.
Passei o dia em casa dos meus pais, a ajudar a minha sobrinha mais velha (4anos) a fazer uma árvore genealógica para a escola. Tratei de fechar as malas, tratar de últimos assuntos pendentes. Passamos a noite com a família dos dois lados... todos felizes com o dia seguinte.

Ao deitar não conseguíamos nem pensar, nem falar. Mas fomos dormir (e conseguimos dormir!) até quase à hora de entrar na Maternidade.

Fomos os dois, fui preparada, e pelas 10:00 estava deitada num quarto a aguardar ter vaga na sala de partos para a cesariana. O pai não foi assistir, porque acho que iriam ter mais um paciente para cuidar!! Mas tivemos lá a avó bem de perto :)
Infelizmente na maternidade onde as bebes nasceram, e apesar da lei permitir um acompanhante durante todo o trabalho de parto - mesmo cesarianas -, não há condições para receber os acompanhantes! Felizmente não me importei muito, mas só ter esta informação quase a entrar pra o bloco é um pouco indelicado...

Pelas 11:00 fui para a sala de partos, mas algumas urgências fizeram com que apenas pelas 12:00 se iniciasse a preparação com a administração da epidural,
Até lá, os momentos foram de alguns tremores e ansiedade, felizmente amenizados pelos cuidados dos profissionais da sala de partos: anestesistas, médicos e enfermeiros.
O mundo é uma ervilha, e dei por mim a conhecer (por motivos profissionais), uma das obstetras e uma das enfermeiras da sala de partos. Fomos conversando e a coisa passou.

Momentos antes do corte puseram-me um pano e parece que deixei de estar ali: todas as conversas eram sobre o meu estado vital, e o que se estava a passar do peito para baixo.
É engraçado que não senti qualquer dor, mas percebia que estavam a mexer... curioso como funcionam estes medicamentos!! Tinha a sensação que poderia mexer as pernas se quisesse, embora tenha perdido a sensibilidade à dor, parece que ainda sentia as pernas. Não me sei explicar melhor...

O período que mais me custou lá estar, foi até ao nascimento da C. (o G1), que era um bebe bem grande - segundo as médicas. Depois fiquei mais tranquila... foram apenas uns minutos mais até nascer a M.
A partir de aí fiquei mesmo bem, em paz. Como já disse, levaram as bebes para observação na sala ao lado, onde estava a avó e muitos outros profissionais para as receber. Foram-me dando notícias das bebes, tal como o seu estado geral, peso, etc.

Não tenho noção do tempo que passou, mas talvez tenha ficado a ser cosida cerca de 30min, mais 30min em recobro.
Os pontos que me deram são intradérmicos, exceptuando os últimos pontos, ou seja, um ponto de cada lado à moda antiga, que já tirei no centro de saúde, 8 dias após o parto.

Recebemos os parabéns de toda a gente que passava, e eu estava muito feliz, embora cansada da ansiedade!
Quando me transportaram para o quarto já levava comigo a C., e no corredor tinha a família à nossa espera.
Subi para o quarto onde tanta coisa se ia passar...

19 janeiro, 2017

E o peso?

Sim... nestes primeiros dias é tudo uma loucura!...
E as principais preocupações são os pesos das bebés- estão a engordar? Comem bem? Neste departamento temos tido as nossas chatices com ambas as bebes. A M. porque nasceu com baixo peso... e porque não sente necessidade de se alimentar (embora com a sonda esteja num circuito de peso ascendente, já tendo ultrapassado o peso do nascimento!).
A C. é muito preguiçosa de comer!! Para além de andar no perde-ganhas, ainda está longe do peso de nascimento... estamos neste momento com um plano de engorda, e no sábado está bebe tem que pesar mais 80 gramas pelo menos... se não também já temos ameaça de sonda... e era o que me fltava ficar sem as minhas duas bebes.
Mais vale sedarem-me....
Enfim.

E o peso da mãe??
Sim, este assunto que tanto me intrigou na gravidez!!
Vamos a contas!
No início da gravidez pesava 57kg. Engordei um total de 16kg na gravidez, chegando aos 73kg na consulta que tive 5 dias antes do parto.
Quando sai da maternidade (5 dias de internamento) pesava 61,9kg - uma perda de 11kg.

Agora só o tempo dirá! É estranho sentir a barriga mole, e meia sem definição! Mas estou muito satisfeita com o aspeto geral da coisa até agora!... a cicatriz ficou bem perfeitinha (segundo me parece para já que ainda estou um pouco inchada), e a barriga está sem estrias, a ir todos os dias um bocadinho ao sítio (pelo menos eu sinto-me todos os dias um bocadinho mais autónoma, a perder a ser dores ao levantar/sentar!).

Nesta fase tudo me preocupa mais do que o meu peso! Mas há sempre aquela curiosidade, e desde que fique com bom aspeto, os números serão secundários :)


Pensamento...

Já não bastava a infertilidade, ainda tenho que lidar com um bebé internado na UCIN??
E outro bebe em casa.

Sinto sempre que não estou em lado nenhum, e que ambas me têm a correr.
Nas horas que estou na maternidade sou só para a M. Mas o ambiente é muito controlado, há os fios para tomar conta, a temperatura da bebe, a sua alimentação,... o espaço/tempo para mimos é pouco e muitas vezes interrompido pelo staff... (atenção não me estou a queixar!! A M. tem as melhores "tias" a cuidar de si!!)

A C. basicamente tem-me durante a noite (que divido com o pai). De resto entre tratar de papeladas, comer e descansar um pouco, o tempo passa e eu chego ao fim do dia e não sei o que fiz...

Estou muito muito grata pelo apoio que família e amigos nos têm dado (avós, bisavó, tios e primos!). Sem eles não seria possível fazer 1/3 daquilo que fazemos.

Cada dia que passa, é menos um dia destes complicados. Fé (e muitos biberões!).